Ora viva! 👋
Na senda do post anterior, e à luz das reações que este suscitou, sinto-me no dever de esmiuçar o ponto 7, aquele que diz que pessoas de alto valor "respeitam todos". O que não acrescentei na altura, provavelmente por ser cristalino para mim, é o seguinte: "Respeitam todos, a começar por si mesmo".
Como tudo começa e acaba em nós, se não nos respeitarmos como esperamos que os outros nos respeitem? Não há como! Antes de te ensinar como ganhar o respeito dos outros, permito-me falar um pouco do meu françiú. Sem bazófia ou modéstia, estou convicta de que ele é a melhor pessoa que já conheci em toda a minha vida. O meu Ste é tão bom que chego a cogitar se não estará representando um papel qualquer. Quem sabe de santo...
Raramente discutimos, e quando o fazemos o ponto da discórdia é quase sempre o mesmo: o desrespeito dos outros para com a sua pessoa. Dói-me horrores ver como ele sofre com isso. Dito de uma forma directa: as pessoas que o rodeiam parecem não reconhecer o seu valor humano e social. E digo isso com base em n situações que fui presenciando ao longo destes 12 meses de relação.
Não obstante isso, tenho a tirar-lhe o chapéu, pois, mesmo a lidar com situações limite, o Ste consegue manter a postura e o respeito por todos. Apesar de eu admirar genuinamente a sua forma de ser, a meu ver ele precisa interiorizar que ser "bonzinho" não significa necessariamente ser apreciado, valorizado ou respeitado. Muito pelo contrário. As pessoas usam e abusam da sua bondade a seu bel-prazer, sem dó nem piedade, muito menos remorso.
Até "quarentar" eu era exatamente como ele: "boazinha" o tempo todo, mesmo que isso representasse uma automutilação emocional, na (vã) esperança de ser amada, aceite e elogiada. Quem já tem algum trabalho feito na área do autoconhecimento e do desenvolvimento pessoal sabe perfeitamente que isso é um sintoma de uma carência afetiva extrema, em que nos anulamos para sermos aceites, desrespeitando a nossa essência para agradar aos outros, na expectativa de uma recompensa afetiva, que na maior parte das vezes não passa de migalhas.
Após o meu despertar, tenho orgulho em dizer que atingi um ponto de maturidade emocional e espiritual em que faço questão de ser uma boa pessoa, mas não mais uma pessoa boa. Sim, porque há uma linha muito clara que separa essas duas versões.
É precisamente isso que estou tentando fazer o meu namorado perceber, até agora sem muito sucesso, para grande frustração minha. A seu ver, eu sou demasiado intransigente, dura mesma. E sou, com muito gosto! Sempre que for preciso. Porque só eu sei as dores emocionais que sofri ao longo de toda uma vida por ser "boazinha".
O Ste, que só recentemente enveredou por um caminho que eu venho percorrendo há quase uma década, ainda não se consciencializou que aceitar tudo dos outros, engolir todos os sapos e mais alguns, dizer sempre sim (mesmo quando a sua alma grita não), não cortar relações tóxicas ou não pôr certas pessoas no seu devido lugar é uma agressão brutal à sua dignidade, ao respeito por si mesmo e ao amor próprio.
O que rotula ele de “intransigência” chamo eu de inteligência emocional. Ao mais alto nível, diga-se de passagem. Quem sabe este texto – que ele vai ler com toda a certeza – não lhe servirá como um abre-olhos (mais um), um boost para encetar as mudanças psíquicas, emocionais e espirituais que é preciso fazer para alcançar uma vida mais feliz, serena e alinhada com os verdadeiros valores da dignidade, da autoestima, do respeito e do amor próprio.
O texto já vai longo, eu sei, mas não quero terminá-lo sem te deixar algumas dicas sobre como conquistar o respeito dos outros, na verdade o verdadeiro propósito desta crónica. De entre as inúmeras que me ocorrem, eis o meu top 12:
1. Não te esforces para agradar a todos.
2. Diz não sem culpa (toda vez que algo te fizer sentir desconfortável).
3. Jamais forces a tua presença na vida dos outros.
4. Trata os outros com a mesma consideração com que te tratam.
5. Sê (sempre) amável, mas não mais do que o necessário.
6. Não estejas disponível o tempo todo.
7. Não te diminuas para caber no mundo de alguém.
8. Sê reservado (fala menos e escuta mais).
9. Faz apenas o que acreditas ser certo.
10. Não contes da tua vida para todo mundo.
11. Cultiva o hábito de dizer a verdade (um mentiroso não tem moral para impor respeito).
12. Evita estares sempre a lamentar/reclamar (um coitadinho costuma despertar pena e não respeito).
Meu bem, lembra-te que é da natureza humana não valorizar o que é dado de graça, o que é servido de bandeja, o que não custou para obter. O que vem fácil, fácil vai, costuma-se dizer, e nas relações humanas, seja de que natureza for, as coisas não são diferentes.
Aquele abraço amigo e até para a semana!
