by Sara Sarowsky

Do antigo e premiado 'Ainda Solteira', nasce este novo espaço de crónicas, contos, confissões e confusões da autora Sara Sarowsky.

Estar só não significa ser solitário: a linha fina entre solidão e solitude

Solidão é estar só querendo estar acompanhado, enquanto que a solitude significa estar só querendo estar só.

Ora viva! ✋

Em dia de jogo decisivo para os "Tubarões Azuis" 🇨🇻, retomo o contacto a fim de juntos refletirmos sobre a (fina) linha que separa a solidão da solitude. Embora muita gente esteja convicta de que são a mesma coisa, a verdade é que ser solitário não significa necessariamente ser só e vice-versa. Confusos? Já esclareço.

No cerne da experiência humana, a solidão e a solitude dançam uma valsa delicada, trazendo ambas consigo a presença do "estar só". No entanto, a essência de cada estado é profundamente distinta. Enquanto que a solidão afigura-se como uma sombra que nos envolve em momentos de desespero e desconexão, a solitude - quando bem interpretada - pode ser um oásis de autodescoberta e reflexão.

Commumente, associamos a solidão a um vazio pulsante, a um clamor por companhia que ecoa no nosso íntimo. É a sensação desgastante de estarmos rodeados de pessoas, mas não encontrarmos uma conexão verdadeira. A solidão faz sentir como se estivéssemos invisíveis, como se as nossas vozes fossem abafadas pela indiferença do mundo.

Por seu lado, a solitude afigura-se como uma escolha consciente, um refúgio no meio do caos. É quando decidimos desligar-nos das distrações externas e mergulhar dentro de nós mesmos. Na solitude, encontramos paz, já que se trata de um espaço onde a criatividade flui, onde meditamos sobre a vida e onde somos capazes de avaliar o nosso propósito com clareza.

Dito de forma bem simples: solidão é estar só querendo estar acompanhado e solitude é estar só querendo estar só. Significa que no primeiro caso estamos tristes e insatisfeitos e no segundo em paz e satisfeitos. Quero com isto frisar que estar só não significa ser solitário. Pelo contrário!

Há uma beleza poética em aproveitar a própria companhia. Podemos experienciar o mundo através de uma nova lente, aprender a gostar do silêncio e apreciar as pequenas coisas que muitas vezes passam despercebidas no meio da azáfama quotidiana. Ler um livro, caminhar pela natureza ou simplesmente observar o céu podem proporcionar momentos preciosos de introspecção.

Como criaturas sociais que somos, é antinatural estarmos sozinhos 100% do tempo - se assim fosse, Deus não teria criado a Eva 😉. As extrovertidas preferem estar rodeadas de outras pessoas. Socializar carrega-as e faz com que sigam em frente, enquanto que ficarem sozinhas é-lhes mentalmente extenuante. Outras, as introvertidas, ficam mentalmente cansadas quando rodeadas de outras pessoas. Estarem sozinhas dá-lhes a oportunidade de se recarregarem mentalmente e de se conectarem com a sua verdadeira essência.

Apesar de fina, a linha que separa a solidão da solitude é bastante nítida, perfeitamente visível no entendimento e na aceitação de nós mesmos. Porque quando aprendemos a transformar a solidão em solitude, damos o primeiro passo em direção ao autoconhecimento e à plenitude. 

Termino lembrando o seguinte: na próxima vez que nos encontrarmos sozinhos, que possamos lembrar que nessa solidão pode estar a chave para a nossa própria felicidade.

Au revoir!

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