by Sara Sarowsky

Do antigo e premiado 'Ainda Solteira', nasce este novo espaço de crónicas, contos, confissões e confusões da autora Sara Sarowsky.

Nôs hora dja tchiga, viva Tubarões Azuis!

Pela via do desporto, estamos a dar-nos a conhecer ao mundo. Já nos tínhamos dado a conhecer através da Cesária (Évora) com a música.

Ora viva! ✌️

Muito disse eu sobre a seleção nacional de futebol de Cabo Verde 🇨🇻 no último post. Acredita que não é de todo minha intenção fazer deste espaço um diário do mundial.
Contudo, face à nova prestação histórica, e heróica, do arquipélago da morabeza no Mundial FIFA 2026, e na qualidade de criola orgulhosa e adepta ferrenha do desporto-rei, como não retomar o assunto do momento?

A pauta para esta segunda-feira, 22 de junho, definida na semana passada, versava sobre a linha que separa a solidão da solitude. Estava eu a ultimar o texto quando recebo um áudio da Ângela, amiga com quem tenho o hábito de diária e religiosamente trocar os bons dias, no matter what.

Eis o que disse a chairwomen do CCCV, em Lisboa, e que me tocou fundo a ponto de decidir alterar a agenda do dia e partilhar contigo o seu conteúdo:

“Bom dia minha querida e amada amiga Sara. Que a tua semana com o teu Ste comece com serenidade, muito amor, cumplicidade e felicidade.

Que este sentimento que nós estamos a ter, nós cabo-verdianos, como se estivéssemos a caminhar sobre nuvens, se prolongue por muito e muito tempo. Porque o nosso povo merece. O nosso povo tem sido tão castigado, mesmo até nas lendas.

Aquela lenda de que Deus, quando acabou de construir o mundo, tinha terra nas mãos e, sacudindo-as, espalhou umas coisas ali no meio do mar... Então isso só mostra que há muito tempo que o povo cabo-verdiano tem sido castigado pela dureza do mundo e da vida. 

Mas a verdade é que estar onde estamos, o nosso posicionamento mostra que, de facto, Deus tinha razão. Nós sabemos nos desenrascar. E pela via do desporto, estamos a dar-nos a conhecer ao mundo. Já nos tínhamos dado a conhecer através da Cesária (Évora) com a música, mas honestamente eu acho que o futebol é mesmo unificador.

O futebol ⚽️ atrai tudo o que há de bom e tudo o que há de menos bom. Felizmente, para nós, Cabo Verde, tem sido tudo o que há de melhor. E estes rapazes, eu acho que eles sabem, eles sabem, como cabo-verdianos eles sabem, o quanto estão a fazer por nós, pelo nosso orgulho, pela nossa auto-estima. Por isso só temos a agradecer-lhes imenso, imensamente”.

Posto isto, só tenho a desejar-te uma semana estupenda. Para mim e para todos os cabo-verdianos será com toda a certeza ☺️.

Como ouvi hoje, Cabo Verde é uma formiga com coração de elefante!

Au revoir!

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