Ora viva! 👋
Há já um bom tempo que carrego o desejo de te desafiar a refletir comigo sobre o sentido da vida, analisado à luz do célebre "Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come".
Confesso que esta frase sempre me intrigou, ao ponto de roçar o fascínio.
No longínquo ano de 2014, fui contratada como social media manager de uma apresentadora do canal SIC. Foi uma experiência profissional traumatizante, sob vários prismas, sobretudo o da ética e da deontologia profissional. Como tudo na vida tem o seu lado positivo, aprendi muito ao longo dos nove meses em que trabalhei para ela. Inclusive, foi após deixar esse maldito emprego que criei o blog Ainda Solteira.
De entre as inúmeras máximas que a dita cuja apregoava, a maior parte delas fakes, há uma em particular que me ficou tatuada na mente e que ainda hoje dita a minha postura tanto na esfera pessoal como na profissional. Defendia a tv star que "mais vale uma má decisão do que decisão nenhuma".
Muito provavelmente por defeito de fabrico, a maioria de nós revela uma relutância natural em tomar decisões. Mesmo quando não há como evitar, relutamos, adiamos, procrastinamos o máximo que podemos, como se, num passe de mágica, a vida reclamasse para si uma tarefa que é nossa e de mais ninguém.
Decidir exige que abramos mão de qualquer coisa, que deixemos algo pelo caminho, que saiamos da zona de conforto, que enfrentemos o desconhecido, que assumamos a responsabilidade, que deixemos de vestir a pele de vítima. Trata-se de um processo doloroso, que exige coragem, determinação, desapego, mas sobretudo uma fé inabalável de que o porvir será sempre melhor do que o agora.
Qualquer mortal com um mínimo de senso da realidade sabe bem que a vida não oferece nem certezas nem garantias, apenas oportunidades e possibilidades. É exatamente por isso que nos custa tanto decidir. E quanto mais impactante for essa tomada de decisão, mais doloroso é o processo.
Conscientemente, sabemos que o atual não é bom, queremos algo melhor, sentimos que merecemos esse "algo melhor" e que a situação como está não pode continuar. O problema é o subconsciente, cujo peso no processo de tomada de decisão é brutal. Por mero instinto de sobrevivência, ele agarra-se feito lapa na rocha à situação atual, por medo do que não conhece, ou seja, do que não controla.
Estou certa de que já ouviste dizer que a magia acontece fora da zona de conforto. Na primeira pessoa, posso assegurar-te que é a mais pura verdade. De todas as vezes que ousei abrir mão do status quo e abraçar o desconhecido coisas maravilhosas aconteceram na minha vida.
É saindo da zona de conforto que descobrimos a real dimensão da nossa força e desenvolvemos recursos valiosos. Por isso, meu bem, não temas tomar decisões, teme sim perpetuar situações que não te fazem feliz, que não te acrescentam mais e melhor à tua vida, que não te trazem paz de espírito, que não te iluminam a alma nem carregam consigo um sorriso. Quanto mais cedo fizeres o que tens a fazer, mais cedo vais descobrir em ti a coragem necessária para olhar o bicho nos olhos e lutar com todas as tuas forças para não seres comido por ele.
É preferível correr, mesmo que sujeitos a ser pegos pelo bicho, do que ficar e sermos por ele comidos. O ser pego pelo bicho não significa necessariamente ser comido por ele. Ao invés do fim, pode muito bem significar o início de uma batalha (desigual, é certo), mas cujo desfecho quase sempre surpreende pela positiva. Isto porque reside em cada um de nós a força, a resiliência e a capacidade para desafiar o improvável, tal como prova a história de David e Golias.
Deixo-te com aquele abraço amigo de sempre e o repto para confiares no poder transformador da vida.
